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†Ana Pismel†

Meus passos cortam leves a eterna brisa do teu anoitecer...

Ana Paula Cattai Pismel

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June 05

Atualizando...

 
 
    Oi, como vai?
 
     Nossa, estive dando0 uma olhadinha pelo Spaces, o pessoal está voltando a postar por aqui... rs. Isso é bom, afinal nem no meu próprio site tenho tudo que coloquei aqui (por enquanto, rs). Sendo assim, valos lá eu também, rs.
     Nesses últimos messes tenho estudado muito, e corri atrás da publicação do meu livro, que planejo há tempo. Boas notícias: consegui um editor, tenho dois projetos em paralelo, sendo uma antologia da qual estou participando e um projeto chamado "48 Horas", sobre o qual pretendo falar mais pra frente, rs. Os dois já estão me dando bastante trabalho por agora. Por isso adiei a publicação do meu livro: Tributo á Solidão, para que eu tenha tempo de fazer tudo com calma, bem feitinho, e ainda passar de semestre, rs - é bom, né? rsrs.
     Como postei antes, meu site agora está no ar, e convido você a dar uma olhadinha, está muito legal. Como isso é mais uma coisa que estou cuidando sozinha, devo dizer que estou indo aos poucos, colocando aqui, excluindo de lá, sempre que tenho um tempinho. Ele está indo aos poucos, mas está bem legal, rs. o link:
 
          www.anapismel.ws
 
     Com certeza atualizarei esse espaço com mais freqüencia de aghora em diante,rs. Por isso espero sua visita sempre que quiser ler coisas diferentes, rs.
 
   
      Ana Pismel
April 06

Link do meu site

 
 
       Olá, meus caros, como vão?
 
       Agumas coisas muito boas tem acontecido ultimamente e quero colocar aqui o link do website que agora posso manter. Nele voc~es encontrarçao trabalhos meus e de amigos e colegas, assim como links e outras coisas. Espero vocês a visitarem esse novo domínio da Solidão
 
                                                                  www.anapismel.ws
 
                                   Meus Agradecimentos
                                        Lady van Death
December 17

Venho oferecer meu livro

Saudações a todos,
 
Venho oferecer meu primeiro trabalho literário, o livro "Tributo à Solidão". A poesia gótica é muito rica e fascinante, meus caros, esse livro, em edição eletrônica, se fez de poemas que escrevi há dois anos.
Venho anunciar aqui a venda dessa humilde obra, que espero que agrade àqueles que a adquirirem.
Caso haja interesse, basta fazer contato pelo e-mail paulacattai@hotmail.com, na resposta, serão enviadas as instrições de como efetuar o paramento. O preço é R$ 10, 00, um custo baixo, se comparado aos livros tradicionais, e a forma de pagamento é extremamente simples, bastando um depósito bancário. Contatando-me pelo e-mail acima, terei muito prazer em enviar informações mais detalhadas.
Deixo aqui dois poemas que fazem parte do livro, para que vocês alaviem antes de qualquer coisa.
 

Elegia de uma alma errante

 

“Todo o organismo florestal profundo

    É dor viva, trancada num disfarce

    Vivem só, nele, os elementos broncos,

    Das ambições que se fizeram troncos,

    Porque nunca puderam realizar-se”

Augusto dos Anjos

 

 

Quem sou eu?

Uma alma obscura que vaga sem rumo pelas alamedas da escuridão...

Um ser infeliz, errando em meio a trevas em busca de algo que lhe devolva a paz...

Uma ínfima sombra agora...

Um anjo triste que chora, a procura de alguém que o possa consolar...

Um reflexo do que poderia ter sido e não foi...

Uma alma condenada a oferecer sua ausência aos que tanto ama...

 

Eu, meus amigos

Sou a desgraça

A solidão

A tristeza...

E – embora você possa se recusar a crer

Eu vivo em seu interior...

 

 

Dissipação

 

Estas palavras existirão plenas

Por um segundo apenas

Contendo a significância efêmera

Enquanto alguma alma solitária estiver a ler...

Permanecendo pelo resto do tempo

O esboço de um risco no espaço

Traçado por signos em dissipação

 

O lido antes já evaporou

Espalhando sua obscura nebulosa

Por entre as angústias da mente que os decifrou...

 

O escrito existe apenas quando lido

As palavras, nem isso

Com exceção de vagas marcas

(profundas, às vezes)

Desaparecem no ar, carregadas pelo vento

 

Palavras: pronunciadas ou escritas

Se escrevem, são ditas

Passam por mentes, dissipam-se

E são depois esquecidas.

 

 

Meus Agradecimentos

Ana Pismel

September 04

Asfixia

 

Saudações, meus caros 

Como vão vocês? Sei que faz muito tempo que não venho postar nada por aqui, mas algumas coisas tomaram meu tempo e minha dedicação de tal forma que tiva que deixar estes parcos domínios por algum tempo.

Voltei, porém, com nivos poemas e tendo em vista a concretização de novos planos.

Por hora, ofereço-vos um singelo poema do qual espero que gostem.

 

Meus Agradecimentos

Lady van Death

(Ana Pismel)

 

Asfixia

 

 

Escutando Solitude - Evanescence

 

A tristeza é tanta e a solidão tão fria

Todos os desejos reverberam sem sentido

Dentro da minha alma vazia

Quanto me resta a suportar?

Por que é tão difícil viver

se para isso basta amar?

Por que é tão fácil morrer

se vida sem amor é apenas respirar?

Noites como essa não tem fim

A cada minuto sem teu olhar

Uma lágrima nasce em mim

Quanto vejo em você que me fascina

Mesmo você ignorando minha vinda

Eu vivo através de você

Você olha através de mim...

Tudo que eu anseio é não pensar em nada

Meus pensamentos não me deixam respirar

A asfixia me impede de viver

As lágrimas já não me deixam falar

 

Minha morte não terá sido por viver

Mas simplesmente, por te amar

 

 

Ana Pismel

 

March 31

Libertação

Libertação

 Ana Pismel

- Já tava na hora, Sara. – Disse impaciente o homem elegante, apoiado na saída do metrô.

 - Nem vêm, você não tem que agüentar uma tia chata que aparece sem ser convidada pra fofocar sobre Deus e o mundo! – Ele sorriu discretamente. Fora um dia daqueles. Sara se atrasara, pois sua tia demorara demais a ir embora, consequentemente sua mãe fora dormir tarde, prendendo-a em casa por mais tempo do que ela imaginara.

 - Fica fria – respondeu distraidamente Alexandre, como ele se chamava. – Você não é a única que perdeu a hora. Olha lá. – Apontou para o fim da avenida com um movimento de cabeça, o que fez com que seus cabelos castanhos caíssem um pouco por sobre seus olhos.

- Desculpa aí, pessoal. Minha moto quebrou no caminho...

Sara escutou uma voz rouca e grave dizer dentro de sua cabeça: “que novidade!” e deu um leve riso, olhando para Alexandre. Ele também tinha uma ponta de sorriso irônico nos lábios.

...Droga de motor inútil! Acho que dessa vez não vai dar pra consertar! – resmungava ofegante o rapaz de cabelos pretos e curtos, agasalhado por causa do frio.

 - Fica de boa, Fábio, isso acontece quase toda semana, a gente já se acostumou. – Disse Sara, vestindo o sobretudo preto que trazia na mão por cima da blusa vinho e da calça preta. Seus olhos puxados e seus cabelos lisos, pela altura do queixo, repicados, davam-lhe um ar ainda mais jovial.

 - Chega de papo, galera, ta na hora da ação. Ainda tem muito sanguessuga andando por aí. – Comandou o homem jovem, de cabelos à altura do pescoço e olhos verdes. Sua aparência elegante, com suas roupas, coturnos e seu sobretudo de couro preto, inspiravam liderança nos outros dois.

O Inverno não perdoava, São Paulo estava muito fria. A Avenida Paulista, a essa hora, tinha pouco movimento, embora passassem veículos frequentemente. Um vento leve começava a soprar, brincando com as folhas das poucas árvores.

De repente, Alexandre ficou sobressaltado. Começou a procurar algo aparentemente invisível. Sara e Fábio ficam atentos a qualquer movimento dele, esperando o sinal do homem jovem de olhos verdes.

 - São três. Estão indo pro MASP, ainda não se alimentaram, vamos lá! – Alexandre começou a correr, Sara e Fábio o seguiram.

Alguns minutos depois, finalmente avistaram o que procuravam. No pátio, que de dia é tomado por camelôs, sob o museu, duas vampiras e um vampiro cercavam uma garotinha de rua, que chorava assustada.

Ao serem percebidos por eles, os seis focarem imóveis, vendo o melhor momento para atacar. Era a calmaria antes da tempestade.

 - A festa vai começar, galera. – Os dois jovens ouviram a voz de Alexandre dizer secretamente a eles. Ele pode ler nas mentes deles pensamentos de determinação e coragem. Não fora à toa que os escolhera para ensinar-lhes a serem caçadores de vampiros. Sara tirou duas estacas afiadas do sobretudo.

Ainda telepaticamente, disse a eles que o grandão de camisa marrom era responsabilidade dele, um antigo conhecido. Postou-se à frente de seus amigos. Seus olhos ficaram ainda mais claros, dois caninos brancos como pérolas projetaram-se, tornando evidente sua condição.

O vampiro de camisa marrom também parara, encarando Alexandre fixamente e ameaçando-o. havia muitas coisas do passado reverberando nas mentes dos dois, e elas seriam finalmente resolvidas.

 As duas outras criaturas ameaçavam os dois, que partiram para cima delas sem piedade. Uma luta complicada, seria matar ou morrer. Enquanto cada um de seus amigos lutava com uma das vampiras, os dois se mantinham imóveis. Porém isso não se prolongou. A garotinha, chorando, recuou para um canto escuro no qual ninguém repararia nela.

 - Quer dizer que você mudou mesmo de lado, seu traidor?! – Berrou com raiva o vampiro.

- Pois é, Leopold, além de ser minha maior vingança contra vocês, seres imundos, ainda ajudo a desinfetar a noite dessa sujeira ambulante. – havia muita ironia na voz grave do vampiro de cabelos castanhos, mas por trás da sua clama aparente ele mantinha uma raiva acumulada dês de séculos. Se ele quisesse vencer, precisaria ter muita frieza, e isso já lhe fora ensinado pelo tempo, benevolente e impiedoso para com os da sua condição.

 - Nós é que vamos nos livrar da vergonha que você dá pra nossa raça! – era visível a irritação do outro, um ponto a favor de Alexandre.

Fábio recebera um corte feio no ombro. Movido pela obstinação, recuou e deu um salto, acertando o coração da vampira loira com um punhal de prata. No chão, restaram apenas as roupas vulgares da criatura exterminada.

Uma nova luta finalmente foi travada: dois vampiros seculares na tentativa de dar fim um ao outro. Os dois jovens, Sara e Fábio, estavam com Alexandre há bastante tempo, porém nunca tinham visto um embate entre dois seres de tamanha experiência.

Percebendo-se praticamente só, a outra vampira, uma criatura que devia ter sido uma bela mulher negra quando viva, ficou desesperada, indo para cima da garotinha. Ela não queria deixar que tudo aquilo fosse em vão, estava com muita sede. Sara, que agora via-a novamente, disparara uma seta, acertando a perna da vampira. Gritos dela ecoaram pelo lugar. A criatura continuou retirando a seta da perna.

Fábio dera alguns passos, mas Sara fez-lhe um sinal para que não interferisse. No entanto, vendo o sangue que escorria pelo braço definido do jovem, correu em sua direção com voracidade. Mas foi atingida com uma estaca em cheio no coração, virando pó antes mesmo de tocar o rapaz. Ao limpar a poeira da jaqueta, Fábio viu  a expressão de satisfação no rosto de Sara, que foi logo substituída por um sorriso de alívio. Algumas mechas de seus cabelos caíam sobre seu rosto.

Só faltava uma vitória para que tudo estivesse acabado, Sara abraçava a garotinha assustada. Ela chorava e estava muito nervosa. Fábio fizera uma bandagem com a manga de sua camiseta, que pusera em torno do braço machucado.

Mesmo assim, a luta entre os dois ainda não tinha terminado. A fúria da Alexandre surpreendera os dois, ele sempre ostentara um ar controlado, contrastando com a atitude demasiado rebelde de Sara e de Fábio.

Uma coisa inesperada aconteceu. Uma luz muito forte surgiu num canto, envolvendo todo o lugar num branco súbito. A garotinha levitava, pairando acima deles, e dos dois vampiros, prostrados e protegendo os olhos da claridade. Grandes e belas assas brancas surgiram em suas costas, ela estava vestida com uma túnica branca, ornamentada com detalhes dourados. Sua fisionomia era a mesma, embora as marcas de sujeira tivessem desaparecido. Seus olhos e sua boca emanavam uma luz azulada, como se houvesse uma lâmpada forte no interior da cabeça da garotinha.

Foi tudo mito rápido.

 

Fábio e Sara retomaram a consciência. O que teria acontecido? Como tudo terminara? Levantaram-se do chão e, olhando em volta, viram Alexandre desacordado, estendido no cão, porém sem nenhum ferimento.

Os dois jovens tiveram uma surpresa ao verificar como ele estava: seu coração batia e seu corpo estava quente, como uma pessoa normal! Abrindo os olhos, o homem viu seus amigos e também a luz do sol, que estava nascendo.

Recuando involuntariamente, Alexandre descobriu que a luz não o feria mais e que tinha muitas dores pelo corpo. Coisa que há séculos não sentia. Sentando-se, ele olhou para os dois, que sorriram com o que deduziram.

 - Ta tudo bem, cara? O que você fez pra conseguir suportar luz solar? – Perguntou alegre Fábio, que já não tinha corte algum no braço.

 - Não fiz nada, não sei nem o que aconteceu. Mas posso dizer que não podia ter sido nada melhor.

Sara e Fábio ajudaram Alexandre a se levantar. Os três seguiram pela avenida antes que começasse a aparecer gente.

Apesar da insistência dos amigos, o homem de cabelos castanhos não pode se lembrar da absolutamente nada que pudesse sanar a curiosidade deles.

Após uma breve caminhada, os três se separaram no mesmo local do princípio.

 - Nada mudou. Hoje à noite, onze horas. Vamos terminar o que começamos, certo? - Disse Alexandre, antes que eles de dispersassem. Ao que responderam os dois afirmativamente.

 - Pera ae, o que você vai fazer? – Quis saber Fábio.

 - Eu? Pretendo fazer o que por muito tempo não pude... – Alexandre sorriu com não fazia desde que fora transformado em vampiro, há séculos atrás. Um sorriso belo e leve, sem o peso da eternidade.

 

 

Pode ser que tenha continuação...

Lady van Death

March 13

O poema que fiz a ti

 

O poema que fiz a ti

 

 

Sinto saudade

De tudo que não vi

Do amor que a morte me negou

Vejo a vida passar por mim

Cinzenta, soturna e insípida

Resignando-se a si

Negando-me as horas que não pode ter

E o poema que fiz a ti

Mas não pudeste ler

 

Vivo num mar de loucura

Desesperada e insegura

Sabendo não poder achar-te

E mesmo assim, procurando por ti

Porém na morte encontraste amparo

Amor que o tempo e a noite me roubaram

 

No entanto, dorme ainda contigo

Em teu eterno jazigo

Sepultado em meu amaldiçoado coração

O poema que fiz a ti

E na tua morte a minha solidão...

 Por Lady van Death (Ana Pismel)

 

Bem, esse poema nasceu de uma noite de insônia coroada de uma tempestade (única coisa boa do Verão). O verão já acabou, mas estava pleno na ocasião na qual o escrevi.

Ofereço-o a um caro amigo, que mesmo não conhecendo pessoalmente, ocupa um lugar prinilegiado entre as pessoas do meu maior apreço: Lord Khronos. Eu recomendo o blog pessoal desse caro amigo que detém um dom especial: o de traduzir em palavras a torrente de revelações da alma. Mylord, espero que este poema lhe agrade, não sei se você já o leu, mas em todo o caso, trago-o aqui para o reconhecimento de nossa amizade.

Meus agradecimentos por sua atenção e amizade, meu caro amigo.

 

Lady van Death

February 25

Aula Inalgural

Aula Inaugural

 

 

Faltavam dez minutos para as duas horas da tarde. A maior parte dos calouros que vieram para a aula inaugural já estava na sala.. Quietos, pouco a vontade, não conhecendo quem estava a seu lado. Alguns poucos que já se conheciam conversavam baixo. O tempo passa e chega a hora da aula, mas os veteranos avisam que o professor vai demorar um pouco, pois acabara de chegar de viagem e estava vindo do aeroporto.

Quando o professor entrou, de terno e gravata, com um assistente ridiculamente puxa-saco, de óculos garrafais, todos exibiam uma cara de preocupação. Logo depois, ele ia começando um discurso lento e complexo enquanto seu assistente, que estava vestido praticamente igual a ele ia descarregando uma mala inteira de livros pesados e grossos sobre a mesa de mogno antiga e grande ao centro da elevação reservada ao professor. Um aluno ri.

 - Onde está a graça? O senhor sabe quantos compromissos importantíssimos tive que desmarcar para estar aqui?

 - Desculpe professor – disse o aluno, provavelmente querendo que o chão se abrisse naquela hora.

 - Senhores – recomeçou o professor imponente. – Agora que vocês farão parte do seleto grupo de sábios do país, e uma coisa que se faz extremamente fundamental é o respeito e a aceitação da autoridade dos mestres!

Ele ficou ainda uns dez minutos no mesmo assunto. Quando, finalmente, decidiu-se por retomar seu discurso, foi interrompido outra vez.

 - Posso ir ao banheiro, professor? – era a terceira vez que a mesma garota fazia a mesma indagação. – Será que eu vou perder alguma coisa, é rapidinho...

 - Senhorita, eu não sou sua mãe para lhe dizer o que fazer ou não!  - o respeitável professor havia se irritado em demasia. – Faça o que quiser. Quanto ao que vai perder, é óbvio, a senhorita não acha?

 - Professor, eu só...

 - A minha aula! O que pode ser pior que perder um segundo sequer da MINHA AULA? Jovens impetuosos, os senhores têm a noção de quantos anos eu levei para ter o título de doutor? – e voltando-se para a estudante. –Se a senhorita quer abdicar do privilégio de assisti-la, fique a vontade!

Não havia uma alma sequer que não estivesse se perguntando se estava realmente numa faculdade ou num sanatório, cercada de loucos... O assistente, conforme tinha ordenado o professor, apagava toda a enorme lousa com uma satisfação inexplicável em submeter-se às ordens mais bizarras do senhor de terno.

“Senhores, escutem e aprendam: filósofos não riem, filósofos não contam piadas! Por quê? Eu vou lhes responder porque! O riso é a diferença entre o entendimento tardio e a vinda da razão! Logo, filósofos não dão risada, pois colocam sempre a razão acima de tudo!”

Assim, o senhor de terno, com seu assistente a tira-colo, continuava a desfiar um verdadeiro rosário de coisas contraditórias e sem sentido. Não houve um instante no qual eu risse, não por acreditar no que ele nos falava do púlpito, mas por não saber se aquilo era mesmo uma sala de aula e ele um professor. Que pérolas... Dava para fazer várias pessoas rirem do que ele dizia...

“... Outra coisa, senhores! Cultivem um ar de distração. Quando alguém lhes cumprimentar, olhem para cima e façam aquela cara de alienação. A pessoa pode levar para o lado pessoal, achar que é com ela. Porém, nós temos que estar sempre refletindo sobre tudo, e certas coisas nos atrapalham muito. Não podemos ceder ao corriqueiro, não podemos nos dar ao luxo de descansar um minuto que seja!”

Eu estava, para falar a verdade, morrendo de medo da figura tresloucada que pregava seus ensinamentos desconexos com uma postura apocalíptica. Nessa altura, talvez todos nós, os incautos calouros, já não sabíamos se começaríamos o curso os se fugiríamos daquela faculdade para nunca mais voltar assim que aquilo terminasse.

Antes de tudo acabar, ele ainda desfeiteou uma aluna que veio de escola pública, dizendo “os senhores vão me desculpar, mas os que vêm de escola pública podem até passar no vestibular, mas não possuem o nível cultural para estar entre nós!”, e um outro calouro que não entendeu o que ele dizia com um “o senhor passou mesmo no vestibular ou está aqui de favor? O exame tem que selecionar melhor os alunos que entram na USP! Como o nível caiu por aqui, que desgraça!” Faltavam uns dez minutos para terminar a aula. Eu não via a hora de sumir dali.

 - Eu não acredito! O senhor aqui de novo! – disse desesperado um veterano do Centro Acadêmico de Filosofia. – Já é a quarta vez que o senhor vem aqui quando não tem aula pra dar e rouba os alunos do outro professor! Ele está velho, quase gagá, pode ser a última aula que ele dê. Como o senhor faz uma coisa dessas assim? Só tem uns três calouros lá, ele ta totalmente desconcertado, coitado! – O veterano parecia preocupadíssimo.

 - Eu vim, venho e virei enquanto eu puder! Um filósofo tem que procurar sempre o público para ouvi-lo! O matusalém na outra sala que se dane!

Meu Deus, além de ter aulas com um professor maluco, nós ainda tínhamos entrado na aula errada! Não, isso não podia ser verdade! Que belo começo! Em que sanatório nós tínhamos nos metido... Com algumas diferenças, claro, era essa a essência do pensamento de todos nós, suponho.

Uma confusão de alunos tentando se retirar da sala e o murmúrio crescente fizeram com que chegasse a hora da verdade.

 - Senhores – ponderou calmamente o senhor de terno. – Por favor, senhores, acalmem-se! Isso tudo foi uma brincadeira para descontrair, não passou de uma cena armada por nós para recepcioná-los com bom humor. Esse cara aqui (apontando para o assistente ao canto), bem puxa-saco ele, né? Bom, é da turma de Artes Cênicas da UNICAMP. Essa adorável garota também é atriz (a garota que foi xingada por ter vindo de uma escola pública) e esse é o meu filho (o cara que supostamente estaria ali de favor). – O professor falou em tom agradável, quase cômico.

Pode-se ouvir um suspiro de alívio por parte de todos os calouros. Eu dei risada de mim mesma o resto do dia por ter anotado parte do que ele falava. Do meu lado esteve sentado um bonitinho que não parou de segurar o riso durante a aula inteira. Só depois que tudo foi esclarecido, deduzi que ele não era calouro coisa nenhuma, mas estava lá pra fazer volume e sabia do teatro todo.

Foi um mico, para não dizer um King - Kong, mas foi legal.

 


Ana Pismel
(Lady van death)
 
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OpAaAAA. É isso aí, tente sempre postar aki. Ah... E diz o q é o  tal "48 horas"
Bjão SeEeEem AviIiIsoOoOO, hehEhEhe
June 12